segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ENTREVISTA - STELLA MC CARTNEY

Stella e o pai Paul Mc Cartney

Stella e a Rihanna
 Esta é uma entrevista feita há mais de um ano ( em março de 2013) pelo site Fashion Forward ( FFW) e achei muito interessante re posta- la novamente, tem muitas dicas boas.  Vale a pena ler de novo! Stella McCartney pra nao conhece é estilista, filha de Paul McCartney, empresaria e assina coleções p Adidas ( entre outros trabalhos)


  Stella McCartney dispensa apresentações. Há muito tempo ela é simplesmente… Stella. Uma das estilistas mais bem sucedidas de sua geração, ela vive de transformar os desejos e necessidades das mulheres em realidade, através de coleções de roupas e acessórios que compõem um guarda-roupa perfeito. Mãe de quatro filhos (dois meninos e duas meninas – a mais nova ela estava amamentando até há pouco tempo), Stella veio ao Brasil para lançar a coleção que criou para a C&A. Simpática, de conversa fácil, ela se mostrava empolgada com sua viagem de dois dias ao país e prometeu voltar. No restaurante do hotel onde estava hospedada, ela concedeu a seguinte entrevista:


Você acabou de ter seu quarto filho e continua com um ritmo forte de trabalho: mostrou sua coleção de inverno recentemente em Paris, fez essa viagem ao Brasil e mesmo assim parece muito equilibrada e no controle. Você trabalha sob uma pressão enorme, que muitas pessoas não dão conta. Qual o segredo para ter uma vida normal sob esse aspecto?

Stella: Sim, há muita pressão na indústria da moda e isso é para todo mundo e não só para os estilistas. Essa é uma indústria que não tem piedade mesmo e é muito competitiva, você sabe, há milhares de grifes por aí, mas poucas do nível em que eu trabalho.  Eu tenho muita sorte de ter o emprego que tenho, mas concordo que é um universo estressante e maluco, e nessa situação o único caminho é achar um equilíbrio.
Tenho sorte por ter marido e filhos e assim, consigo viver minha vida além da moda, me ajuda a manter um olhar mais realista das coisas. Se não tomar cuidado você pode perder de vista o que realmente é importante, e isso acontece em qualquer profissão.  Mas, realmente, está tudo muito louco no momento. Há cada vez mais coleções, você tem que ser cada vez maior, os preços tem que ser mais baixos e as entregas mais rápidas a cada estação. Ao mesmo tempo, este é um momento interessante, é uma indústria global e empolgante, mas você não pode se deixar contaminar pela loucura.


Quantas horas você trabalha por dia?

Stella: Depende. Eu poderia trabalhar 24 horas, mas tento manter um horário razoável e fazer com que todos ao meu redor também vivam dessa forma. Acho que a gente ainda consegue entregar tudo trabalhando um número decente de horas. Mas claro que muda muito de dia para dia, pois tem semanas malucas e outras mais tranquilas.
(O relações-públicas Stephane entra na conversa)
Stephane: A tecnologia também ajuda muito. Eu falo com a Stella às onze da noite por mensagem. Às vezes é só uma questão simples que a gente consegue tirar da frente sem muito esforço.
Stella: É, e eu preciso desse equiíbrio. Acabei de ter um bebê então estou trabalhando um pouco menos do que o normal porque quero passar mais tempo com ela. Estava amamentando até há pouco tempo. No final, esse é o segredo: equilíbrio. Mas eu também tenho uma equipe muito boa que faz com que eu não tenha que trabalhar todos os segundos do dia. Se não fosse assim eu não poderia ter minha família. Você tem que tomar decisões na vida e eu decidi ter uma família. Quando o trabalho não te der mais prazer, é hora de parar e se perguntar se ainda vale a pena. Quando as coisas não vão bem, tire um momento para refletir. Mas acho que todos parecem muito ocupados hoje em dia, independente da profissão.


Qual o papel dos estilistas muito criativos nos grandes grupos, onde o principal ponto é vender? Designers como Hussein Chalayan têm mais dificuldade de se colocar no mercado no sentido do business?

Stella: Acho que você tem que achar o parceiro comercial certo e talvez Hussein não tenha tido muita sorte em encontrar esse parceiro. O lado do business e da construção de uma marca são tão importantes quanto o design. Não importa se você é extremamente criativo, você ainda tem que conseguir fazer suas roupas acharem um caminho até os consumidores. Nós vivemos numa era em que os estilistas podem criar coisas malucas, pois, no final, a maioria das grifes vende bolsas. É muito raro uma maison vender roupa, nós somos uma das únicas grifes de roupa mesmo. Você pode ser louco e criativo, mas tem que encontrar um bom equilíbrio entre business e criatividade.


Você já tinha algum gosto pelo lado dos negócios quando começou?

Stella: Eu não sabia de nada! Saí da (escola de moda) St. Martins e alguém queria comprar minha coleção de formatura  e eu não tinha nada! Fiz as roupas na Savile Row (famosa rua de alfaiataria em Londres), então eu não tinha como reproduzir aquilo para as lojas. Pensei: “esses compradores devem ir atrás de quem faz isso direito, não a mim!”. Não sabia de nada… Eu fazia as roupas na minha garagem e usava muitas rendas antigas, que eu só encontrava seis metros de cada, então só vendia quatro vestidos, pois era o que dava para fazer com aquela renda. Mas eu gosto do lado business, sabe? Acho que cada vez mais os estilistas querem vender suas peças. Para mim, o maior prêmio é criar algo que as pessoas querem ter e vestir. Eu não vou desenhar as coisas mais malucas só para serem fotografadas pelas revistas. Meu maior orgulho é ver as mulheres escolhendo e se divertindo com aquele produto. Para mim, isso sim é recompensador. É um desafio criar algo lindo e que causa desejo. Esse é o maior desafio.


Na temporada de Inverno 2011, muitas marcas usaram peles em suas coleções. Quais os recursos hoje para fazer peles cada vez mais parecidas com as verdadeiras?

Stella: Há milhões deles. Você pode simplesmente usar pele falsa, que está disponível no mercado, mas eu acabo usando muitas outras técnicas, como tear ou tricô, que você escova e trabalha em cima. Há muitos processos manuais interessantes que podem simular todo aquele volume. Você pode cortar em camadas, compactar, desfiar. Há muitas formas de criar efeitos lindos, mas infelizmente essas técnicas ainda encarecem o valor final das roupas. De qualquer forma é muito mais gentil ao meio-ambiente.


Como você trabalha com a internet no dia-a-dia? 

Stella: A gente tem Twitter e Facebook da empresa, que o Stephane atualiza. Também temos um aplicativo onde colocamos filmes, as linhas infantil e de lingerie e uma história legal de óculos rolando agora. O site está passando por uma reformulação, está com e-commerce, mas ainda não funciona no Brasil.
Stephane: Estamos expandindo na Europa primeiro, mas a linha infantil dá para pedir do Brasil.
Stella: Essas coisas, iPads, iPhones, não me motivam muito. Eu uso muito pouco. Eu não tenho tempo, você tem? Entro no Skype quando estou fora, daqui a pouco vou falar com meus filhos pelo Skype, e  navego na internet quando tenho um segundo. Eu não trabalho com computador, uso lápis e papel, sou à moda antiga, ainda amo livros e gosto de tocar as coisas. Mas claro que a internet é um recurso maravilhoso. Nós trabalhamos com várias atrizes, e quando estamos fazendo um vestido para elas, é bom ter a internet para pesquisar, ver o que elas já vestiram… Tudo isso torna o processo muito mais rápido.


Qual foi o processo para criar a linha para a C&A brasileira? 

Stella: Nós não trabalhamos muito no Brasil, então para mim foi uma pequena introdução da nossa marca para as brasileiras. Olhei para a C&A e pensei em peças que tinham a ver com a grife Stella McCartney, coisas  que as consumidoras possam manter em seu guarda-roupa por um bom tempo. Foi importante para mim tentar entrar no estilo das meninas brasileiras e poder criar uma linha de produtos duráveis e atemporais.

Pergunta da leitora Nicole Castro, feita via Facebook:
Quais são suas melhores memorias da infância?
Stella: Estar com minha família, muito amor, muita união. E também viajar. As oportunidades de viagens que tivemos fizeram parte da minha educação de vida.


fonte: FFW

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